Diadema, minha amada cidade, 19 de fevereiro de 2.013.
Caríssimo amigo Wanderley dos Santos!
Mais
uma vez suponho chegar a sua presença, porque no dia em curso se estivesse entre nós completaria mais um natalício!
A seguir fiquei melancólico e com o
desejo intenso de revê-lo radiante e garboso! Como jamais meu desejo
tornar-se-á um fato, porque seus despojos mortais jazem no Sepulcrário
da cidade de Tapiratiba-SP, terra de alguns dos seus ascendentes,desde o fatídico dia 16 de janeiro de 1996,
resolvi atenuar a dolorida saudade, escrevendo esta epístola como se realmente estivesse cumprimentando-o pela passagem do seu natalício, tornando minha fantasia de manter mais um colóquio palpitante, com tão
diletíssimo amigo, factível!!!
É evidente que nesta fantasia você
está vigoroso eternamente, na Ala Olimpiana, reservada aos historiadores
e pesquisadores pertinazes e certamente dará aquele sorriso discreto e
inconfundível, ao ler o que este seu desolado e fiel amigo lhe
escreveu!
Será que finalmente você descobriu o local exato da Vila
de Santo André da Borda do Campo, que aquele súdito do reino distante
além-mar, o aventureiro e promíscuo João Ramalho (1593-1580) fundou no distante dia
08/04/1553?!...
Como sinto falta de você... A última vez que vi sua
esposa Rosi e seus filhos Elidia, Hosana e Wanderley José, foi no
lançamento do seu livro, "História do Município de Diadema" que o senhor Romeu, proprietário da Faculdade
de Diadema, publicou com a intercessão da valorosa Mary, então responsável pelo
Centro de Memória de Diadema-SP.
Depois da sua ida para o Olimpo os
avanços tecnológicos foram mais céleres ainda! Na contemporaneidade nos comunicamos
com naturalidade e desenvoltura, através do meio cibernético. Os
telefones móveis se popularizaram de tal forma, que nem parece que não o
tínhamos anteriormente! Demorei muito para aderir ao mundo cibernético,
mas agora reconheço que o mundo virtual mudou radicalmente nosso modo
de vida... Você acredita que podemos fazer transações bancárias
sem sair de casa, bem como nos comunicarmos e vermos pessoas que moram do
outro lado do mundo, através deste fantástico mundo virtual,
instantaneamente?!... Lembra da película "Blade Runner," que estreou na Fascinante Arte das Imagens em Movimento no início
da década de 8O? Pois é, meu caro amigo, o que era ficção passou a ser
realidade! Lembra daquela cena, da película citada, em que o
personagem manipulava a fotografia dando zoom?!... Isto tornou-se um fato, não precisamos mais mandar revelar as fotografias. Fico a
divagar sua expressão de espanto com toda esta parafernália que cerca
nosso cotidiano atualmente...
Ainda continuo a procura de indícios
que possam revelar quem foi o pai do meu bisavó paterno, o Sr. José
Pedroso de Oliveira (21/09/1844-13/02/1906). Não resido mais no
município de Guarujá-SP, a casa de lá fica a maior parte do tempo
fechada. Voltei as minhas origens, porque resido no meu
amado município de Diadema-SP desde o ano de 2002... Claro que tenho grande afeição pela
minha cidade de nascença, Santo André-SP e por Guarujá-SP, onde nasceram
meus filhos e que morei por 25 anos!
Nunca me esqueço da primeira vez
que o vi... Foi no Arquivo da Cúria Metropolitana em meados da década de
80. Fui até lá para pesquisar sobre os meus ascendentes. Você,
naquele tempo, era diretor do Arquivo da Cúria Metropolitana. Um
funcionário o chamou para me atender mais amiúde. Fiquei encantado com
sua gentileza, agilidade e presteza em responder as perguntas deste
sempre inquieto inquiridor, que já está na idade outonal... Foi a partir
deste auspicioso fato e dia que fomos estreitando laços, que com o
passar do tempo transformou-se numa sólida amizade! Lembra quando
flanávamos pelo centro velho da nossa pujante capital? Ainda guardo com
muito carinho uma fotografia, onde meu filho carrega sua filha Elídia,
na tenra idade e ele com oito anos, no ano de 1987. Infelizmente os contatos telefônicos que mantinha com sua esposa cessaram. A última vez que falei com ela, foi a pedido do Sr.
Jorge Magyar, que gerencia o Centro de Memória de São Bernardo do Campo-SP, para saber dos exemplares do livro de sua autoria, "Antecedentes Históricos do ABC Paulista: 1550-1892), que com a
intercessão do ilustre e incansável jornalista e escritor Ademir Medici, a Prefeitura
Municipal de São Bernardo do Campo-SP publicou em 1992. Falando no Ademir Medici, a Coluna que ele escrevia diariamente desde 1987, no periódico "Diário do Grande ABC" agora ocupa uma página inteira do Caderno Setecidades!
Tenho lido muito,
como sempre! Estou lendo o livro "Rei dos Mares Deus na Terra - Cenários da Pré-História Brasileira". Falando em livros não sei
se você leu, quando estava neste maltratado e fascinante mundo que ainda
habito, o livro: "Memória e Sociedade - Lembranças de Velhos", que a
Profª Drª Ecléa Bosi nos brindou. Somente o li em 2004. Como divaguei com as lembranças de antigos paulistanos... Antes do
livro que estou lendo, reli o inquietante livro "O crime do restaurante
chinês", do brilhante Prof. Dr. Boris Fausto, que saiu do prelo em 2009. É
fantástico divagar sobre a terra da garoa, nos idos anos de 1.938, sob o viés erudito do Prof. Dr. Boris Fausto! Seu livro desvelou o
preconceito racial que infelizmente ainda continua a nos afligir. Fiquei a divagar quem era o menino que no Tribunal do Júri
sorteou os nomes dos jurados para o julgamento do acusado, bem como foi a vida do acusado do crime após sair da cadeia.
Também sinto falta
do seu sorriso cativante e do seu jeito manso de falar!
Sabe, caríssimo
amigo Wanderley, o mundo ficou insulso depois que deixou de contar com
sua radiante existência... Não sei se você lembra, mas sou
vassalo mor e fã ardoroso n° 1, da inesquecível e inigualável atriz Gene
Tierney (1920-1991)! Caso você a encontre, quando estiver flanando pelo Olimpo,
diga-lhe que você é meu amigo e diga também que quando chegar minha hora
ficarei eternamente servindo-lhe uvas e vinhos, bem como atendendo
todos os seus divinais desejos!!!!!!!!...
Folguedos à parte, hoje também fiquei
enternecido, porque reli as missivas que você me enviou, quando estava
entre nós...
Vou encerrar esta Epístola Pauliana que lhe dedico com muito
carinho e saudades!
Espero ter a prerrogativa
de encontrá-lo pelo menos nos meus sonhos...
Para sentir-me mais
próximo de ti, a encerro a seu modo, que era:
Vou ficando por aqui
enviando-lhe um forte abraço.
Até breve...
João Paulo de Oliveira